No SEMA de 2008, o apresentador Jay Leno compareceu com um Corvette especial, movido a álcoolO apresentador Jay Leno é um incorrigível apaixonado por carros e motos. E por conseqüência, unindo bom gosto e dinheiro, essa paixão se transformou numa das melhores coleções de carros do mundo. O mais novo integrante da garagem de Leno é uma boa novidade, que fica por conta do combustível utilizado em sua mais recente aquisição: o álcool combustível. O E85 (nomenclatura usada para este tipo de combustível nos Estados Unidos) é uma mistura diferente da que temos aqui. Trata-se de 85% de etanol e 15% de gasolina, para facilitar a partida a frio em qualquer situação.
Assim, o apresentador do “Tonight Show” tem agora em sua coleção um exemplar movido a combustível vegetal, com 600 cv de potência e 76 kgfm de torque máximos, disponíveis debaixo do capô. Para isso, Leno escolheu um Corvette Z06, que já traz um sensível incremento de cilindrada e potência em relação à versão regular em linha.
Muito conhecida por aqui, a relação entre álcool e potência foi provada ao público norte-americano nesta Corvette C6RS, exposta no recente SEMA. Note que o “S” do logotipo é pintado de verde, fazendo alusão ao combustível ecológico. Para a modificação, Leno recorreu à tradicional Pratt & Miller, empresa que projetou e construiu a Corvette C6R, versão de pista da C6. "O C6RS é o resultado de uma idéia que tivemos para provar que carros high-performance e tecnologia de combustível alternativo não eram conceitos totalmente opostos", explicou Leno.
MOTOR
Transformar motor movido a gasolina em álcool requer basicamente aumentar da taxa de compressão e a quantidade de combustível injetado, modificiar o ponto de ignição e proteger da corrosão as partes em contato com o combustível. Mas nesse caso, mais do que uma modificação de combustível, a intenção também foi aumentar muito a performance do já consagrado modelo Z06, que serviu de base.
O motor agora é um 8.2V8, com cerca de 600 cv, desenvolvido pela Katech, empresa que cuida da fabricação dos motores do modelo C6R destinados à competição, partindo do bloco original de alumínio. O cabeçote, coletor de admissão e sistema de lubrificação também foram mantidos originais. Virabrequim, pistões e bielas são de aço forjado, fabricados pela Katech.
O sistema de alimentação foi todo modificado, com terminais e tubulações trocados por outros protegidos da corrosão, assim como a injeção eletrônica que teve que ser remapeada, tudo para o correto funcionamento com o álcool, que exige maior volume do combustível injetado. O câmbio é manual, de seis velocidades caixa T-56, com embreagem de discos duplos fabricada pela Centerforce.
O conjunto de escapamento é de competição, com coletores e tubos da marca Corsa. Para melhorar o arrefecimento, foi encomendado um radiador da marca DeWitt, com grandes ventoinhas duplas. Os freios são Brembo com discos de 14 polegadas e pinças de seis pistões na dianteira e discos de 13,5 polegadas e pinças de quatro pistões na traseira, conjunto semelhante ao usado pelos Corvette de pista.
Com todos esses ingredientes, a Pratt & Miller montou o carro de Leno baseado na tecnologia de competição, usando acessórios e peças de fabricantes tradicionais e também próprios, mas ainda apropriado para uso em ruas.
POR DENTRO...
Se por fora o Corvette é quase um carro de pista, por dentro não economiza no luxo: o C6RS tem acabamento primoroso, não lembrando em nada a simplicidade espartana dos carros de competição. Bancos de couro vermelho, apliques em fibra de carbono e alumínio, som e até condicionador de ar. A inscrição C6RS aparece nos encostos dos bancos e também ao lado direito do painel, esta última levando o nome do fabricante desta versão. Sua vocação aparece apenas quando é virada a chave e o motor emite o som de um autêntico modelo de corrida, música para poucos e privilegiados ouvidos.
Para minimizar o efeito do calor do motor dentro do habitáculo, optou-se por fixar placas de fibra de carbono no compartimento do motor, direcionando o ar quente para a área externa. Um outro revestimento especial foi usado em toda a área interna para evitar o excessivo ruído do motor causado pelos escapamentos
...E POR FORA
Na parte externa, o Corvette C6RS se assemelha à versão de pista, com saias laterais, spoiler dianteiro e defletores traseiros. Na traseira, quatro saídas cromadas de escapamento e lanternas com com leds, sempre usando muitos componentes de fibra de carbono.
Na dianteira, saídas de ar na parte superior dos pára-lamas, bem ao estilo dos carros de pista, e pára-lamas alargados para abrigar as novas rodas; o carro de Leno é cerca de 4 cm mais largo de cada lado que a versão de linha.
Na parte interior do pára-choque, mais peças em fibra de carbono, como as entradas de ar dos freios dianteiros e um enorme coletor de ar, direcionado para o sistema de alimentação. O visual é completado pelas belas rodas BBS de sete raios, aro 18 na dianteira e 19 na traseira, calçadas com pneus 295/30 e 345/30, respectivamente.
O sucesso desse carro foi tão grande que será produzido em pequena série a partir de abril de 2008. O uso do álcool como combustível, é mais do que conhecido por aqui, principalmente por pequenos e médios preparadores.
A exposição do carro no SEMA de 2007 certamente fez muitos norte-americanos torcerem o nariz para o combustível, mas a maioria gostou e o feito promete virar tendência. Ficou provado que desempenho e combustível alternativo podem estar no mesmo carro.





1 comentários. Comente aqui!:
Eu não morro de amores pelo etanol, mas realmente é interessante essa adaptação feita no Corvette. A propósito: o Corvette C6-R homologado pela FIA, apesar da cilindrada menor, já vem sendo usado para testes com injeção direta, que em modelos de rua poderia já até auxiliar a partida a frio usando etanol puro mesmo sem o "tanquinho" suplementar de gasolina.
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